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Olga

olgaCaralho, que história FODA. Terminei de ler hoje de manhã no busão e, porra, admito sem vergonha que em várias ocasiões nos últimos dias paguei o vexame de chorar enquanto lia a bagaça no caminho de ida e volta do trabalho pra casa.

É o segundo livro do Fernando Morais que eu leio e a verdade é que esse sujeito sabe contar histórias. Quer dizer, estamos falando de um documentário, de investigação jornalística e tudo mais; Mas a história nos é apresentada estrutura mesmo como um romance. Dá pra rir, chorar e ficar de cabelo em pé com o suspense porque, pô, a história original é foda, então porque tirar dela a carga emocional que lhe cabe? Achei bom pracaralho esse livro.

O filme, que eu assisti antes de ler, também é responsa. Eu “deconcordo” um pouco com o reforço que deram no aspecto “romântico” (entenda-se romântico no sentido novela da coisa) na película mas, enfim, são mídias diferentes, as pessoas têm de fazer escolhas. No final, acho que ficou muito bacana e também acho legal ter esse tipo de superprodução nacional e tal.

De todo modo, voltando ao livro, o lance é foda também por ajudar a clarear fatos da nossa história que não se aprende na escola. Entender nosso processo histórico, afinal de contas, é fundamental pra dar uma luz na nossa atual conjuntura, saber por onde essa barca desgovernada andou pra chegar aqui, hoje, nesse estado… sei lá.

Shalimar, o equilibrista.

Terminei de ler. Caralho, que foda. Esse अह्मद सलमान रश्डी é mesmo um fanfarrão. Não consegui ler os versos satânicos ainda, mas por aqui acho que começo a entender o porquê da coisa toda. De todo modo, Shalimar não é sobre segredos muçulmanos, islâmicos, hindus ou alguma crítica política mais polêmica. É um romance, uma fantasia. Uma fantasia de personagens fantásticos em situações que colocam suas habilidades de serem fantásticos e fabulosos em constante exercício. Difícil abordar sem entregar algo que estrague o tesouro. O fato é que achei foda e me compele declarar isso aqui.

O que eu acho que me deixou mais de cara foi a habilidade do cara de não “desperdiçar” nada (cada situação e personagem contribui muito para o conjunto) e de integrar o romance dele a fatos históricos reais. A história de amor e tragédia de Shalimar começa numa Los Angeles (aliás, em Mulholland Drive, diga-se de passagem) em clima de cidade dos sonhos, com homens-lagarto, Deloreans voadores e valetes indianos. Disto, volta para uma Caxemira, conhecida como paraíso na terra, onde Shalimar aprende a voar; daí para a Europa da segunda guerra e daí pra um passeio que vai passar pela guerra entre Índia e Paquistão, pelo conflito entre Hindus e Muçulmanos, por terroristas filipinos, dragões interplanetários que regem a alma dos homens, princesas dançarinas e príncipes guerreiros, amazonas arqueiras que lutam boxe e fazem aula de tiro às quintas e mortos que andam entre os vivos e vice-versa. Mas, não se engane. É uma história de amor. É uma história de tragédia. E, por mais que pareça que eu disse muito aqui, eu não disse nada. O autor tem a manha de entregar o ouro na primeira página e sua missão, se decidir aceitá-la, é acompanhar a aventura e saber como as pessoas e os fatos chegaram onde ele, desde já, lhe disse onde vão chegar. O bagulho é foda.

“If there is a paradise on earth, it is this, it is this, it is this.”

só de sacanagem

ana e jorge

Estou ouvindo aqui o disco da Ana Carolina com o Seu Jorge e chapei na leitura que ela faz deste texto:
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“Só de sacanagem”
Elisa Lucinda

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro,

Do meu dinheiro, do nosso dinheiro, Que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós. Para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz. Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó E dos justos que os precederam: “Não roubarás”. “Devolva o lápis do coleguinha”. “Esse apontador não é seu, minha filha”.

Pois bem, se mexeram comigo, Com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, Então agora eu vou sacanear:Mais honesta ainda vou ficar!

Só de sacanagem!Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” E eu vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez”. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. E eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal”. E eu repito: “Ouviram? IMORTAL!”

Sei que não dá para mudar o começo Mas, se a gente quiser, Vai dar para mudar o final!

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muito bom, né?

shalimar, o equilibrista.

shalimarAcabei o “Eu S/A” e já acendi este logo na bituca. Faz um tempo (o suficiente pra dizer “desde sempre”) que eu estou querendo o versos satânicos mas ou está em falta, ou eu acabo esquecendo de ver. Minha última incursão foi sábado passado num sebo em Pinheiros cujo único exemplar estava reservado. Ficaram de me ligar se o reservante desistisse. Bom, sei lá.

De tal modo que na falta daquele primeiro, outro dia adquiri este “Shalimar, o equilibrista” meio que por impulso e completamente influenciado pela leitura de resenha no jornal. Deu certo uma vez, tomara que a sorte se repita. Logo nestas primeiras páginas em que me encontro já deu pra sacar um pouco da fanfarronice que quase custou a vida do maluco com o versos satânicos. Vamos ver. Quando eu terminar digo o que achei.

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a wave blue world comics

awbwEste eu estive guardando aqui por algum tempo, não dava pra comentar no blog antes do site ir pro ar de verdade.

http://www.awaveblueworld.com/v01/

Site de um estúdio de quadrinhos em NY que está começando agora. Projeto no qual me envolvi graças a uma ajuda do Fabão, que está arte-finalizando (ou “inkando”, como ele sempre diz) o primeiro projeto do estúdio, a revista “Adrenaline”.

O site ainda está bastante cru de conteúdo, mas a cara é mais ou menos essa. Agora, conforme pintar conteúdo e atualizações ele vai ficando mais recheado e mais sofisticado.

Com o site no ar, estou trabalhando pra eles no projeto gráfico da revista Adrenaline, cuidando das partes “não-desenhista” da coisa: páginas internas, obrigações legais, créditos, seções editoriais, etc. Está divertido, vale as madrugadas de trabalho que este projeto tem tomado.

jennifer government

jenniferLeitura atual: Jennifer Government.
Ainda no começo, mas bastante promissor. Vale dar uma olhada no site do autor especialmente pelas alfinetadas que ele dá na edição brasileira do livro. Demonstra não só a presença de espírito do cidadão, como sua atenção com o próprio trampo. Bom, ou pode simplesmente ser porque ele é, afinal de contas, um nerd de internet com nada mais de interessante pra fazer na vida. De todo modo vale a leitura. E concordo com ele que o pessoal daqui deu uma comida de bola, o nome “EU S/A” e a janelinha de windows na contracapa ficaram realmente meio “lamer”… não fazem jus à graça do livro, na boa.

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fyodor…humor leve e cara-de-pau, melhor coisa depois de sobreviver a uma temporada tensa, densa e cheia de dilemas morais ao lado de Raskolnikov. Esse sim é foda, leitura de cabra macho sim sinhô, afemaria. Na real, na real nem tem muito o que dizer mesmo, só que esse russo maluco do Dostoiévski é realmente foda e, esse sim, faz por merecer tudo que se fala de bom da obra dele, putamerda…